SOS Casas de Acolhida completa 17 anos de atendimento à primeira infância
Entidade filantrópica nasceu com o ideal de cuidar, zelar e garantir segurança em um período ainda primitivo no trato com a criança vítima de violência
SOS Casas de Acolhida completa 17 anos de proteção à criança vítima de violência no Rio Grande do Sul. A entidade, filantrópica, nasceu com o ideal de cuidar, zelar e garantir os direitos da criança quando o Estatuto da Criança e do Adolescente começava a preconizar o reordenamento institucional em prol da saúde física e mental das crianças institucionalizadas. Acolhe, hoje, 51 crianças e cinco adolescentes nas três unidades que mantém. São duas casas temporárias e, a terceira, de acolhimento permanente que integra os adolescentes. Voltada para o acolhimento de crianças de 0 a s6 anos que foram vítimas de violência doméstica, em regime de proteção especial, a entidade trabalha em caráter de beneficência social atendendo em Porto Alegre e Canoas.
Iniciou a sua história em 1992. Na época, um empresário desenvolveu um projeto de construção e desenvolvimento de orfanato para a cidade de Canoas. Foi a família Perondi que, depois representada por Inês Perondi, possibilitou transformar um ideal em uma realidade. A ideia e os terrenos, já com as casas, foram doados às Aldeias SOS - uma rede internacional de Casas-Lares que já atuava com vistas aos direitos das crianças, adolescentes e jovens, antes mesmo do estatuto que hoje rege as entidades relacionadas no Brasil. As Aldeias SOS, então, iniciaram uma pesquisa a respeito das reais carências de serviços para a política de proteção da infância e juventude no Rio Grande do Sul. Para tanto, a Superintendente das Aldeias SOS daquela época, a jornalista Elizabete Pacheco Raimundo, e a psicóloga Sonia Bagatini realizaram uma pesquisa de campo, de estatísticas com os Juizados da Infância e Juventude de Canoas e Porto Alegre e, ainda, observaram as estatísticas existentes na época no Brasil, possibilitando o planejamento para o empreendimento social.
Surgiu a constatação de que a necessidade era criar um espaço para acolhimento e proteção de crianças vítimas de violência doméstica afastadas de seu meio familiar e comunitário como medida de proteção, que permaneciam em hospitais sem local adequado para a sua real proteção e recuperação. Além disso, deveria ser um lugar que, acima de tudo, contemplasse as verdadeiras necessidades das crianças para o seu bom desenvolvimento biopsicossociais. Assim, surgiu em 29 de julho de 1993 o programa “SOS- Casas de Acolhida” em Canoas para trabalhar em prol da primeira infância vitimizada, transformando o conceito de abrigo em acolhida e proteção. Em 1995, foi inaugurada a segunda unidade no município de Porto Alegre.
Com as mudanças políticas internas das Aldeias SOS, a SOS – Casas de Acolhida passou a ser uma entidade independente, com personalidade jurídica própria não mais vinculada à grande mãe Aldeias SOS, hoje denominada “Aldeias Infantis SOS Brasil”.
Como instituição independente, iniciaram-se os maiores desafios. “Tínhamos grande segurança em termos de sustentabilidade. A partir dessa separação institucional, iniciamos um enfrentamento às receitas decrescentes e a busca do equilíbrio financeiro”, lembra Sonia Bagatini, psicóloga e assessora da diretoria.
Essas mudanças, porém, não afetaram a qualidade e a filosofia herdada das Aldeias SOS. Ao contrário, o acompanhamento das mudanças inerentes da área de proteção fez com que se ampliasse o serviço para o resgate das famílias das crianças acolhidas paralelamente ao acolhimento destas. A entidade trabalha com uma equipe de psicólogos e assistente social próprios, o que agiliza os processos judiciais das crianças e tornam a entidade referência no atendimento personalizado à criança. “A psicóloga Tais Cesca de Porto Alegre com a coordenadora daquela Unidade Suzana Margarida, a psicóloga Pricila Seberino de Canoas, todas em conjunto com a assistente social Elizabete Vargas encaminham os pareceres psicossociais e sociofamilar das crianças aos Juizados da Infância e Juventude e Ministério Público para subsidiar as decisões judiciais e colaborar com a agilização dos processos. Isso reduz, e muito, o tempo de permanência da criança em nossa instituição”, revela Sonia ao citar a maior conquista da entidade no seu tempo de história. “Os Juizados da Infância e juventude reconhecem o nosso trabalho, isso gera um sentimento positivo de que estamos no caminho certo” completa.
Ao voltar no tempo durante a entrevista, Sonia Bagatini que coordenou a primeira Unidade, mostra o quanto o trabalho das entidades protetoras ao direito da criança e do adolescente evoluiu. “Fomos pioneiros ao investir no acolhimento da primeira infância como forma de garantir a integridade e o bem-estar físico e mental das crianças que chegavam até nós. Por isso, seguimos, na época, os ensinamentos da Aldeia SOS, que já tinham os alicerces europeus avançados”, recorda.
Contudo, o trabalho segue. Os cuidados oferecidos às crianças com qualidade em pequenos grupos e personalizado, que preconiza a criança como um ser humano em desenvolvimento, devem ocorrer paralelamente com o trabalho de resgate, avaliação e acompanhamento às famílias dessas crianças. Esse investimento tem o objetivo de auxiliar na decisão judicial que pode ser de retorno à família ou encaminhamento para adoção. Desse modo, o esforço dos profissionais envolvidos é de que o tempo de permanência das crianças na SOS seja o menor possível para que o direito à convivência familiar seja, de fato, garantido. Não importa se esses vínculos forem restabelecidos em sua família de origem ou através da família adotiva, o importante é que sejam a realidade na formação da personalidade dessas crianças o quanto antes. Afinal de contas, todos concordam que a infância é a base de uma vida saudável e feliz.
Naqueles casos mais complexos em que as crianças necessitam permanecer na instituição, lá elas também encontram cuidadores preparados para os cuidados essenciais tanto na esfera física quanto emocional para que esses momentos, dias, meses e até anos essas crianças possam sentir-se acolhidas e registrarem experiências positivas de acordo com suas necessidades. “Não importa o tempo que fiquem acolhidas, mas, sim, que levem com elas uma base positiva e experiências infantis para a formação de suas personalidades. Afinal, até os três anos de idade, a personalidade já se molda e, por isso, temos consciência do nosso compromisso, da influência que exercemos e das marcas que deixamos em todas as vidas que passam pelas nossas mãos e pelos nossos corações”, conclui.
Em junho de 2008, a SOS casas de Acolhida implantou um novo programa em Canoas que é de Acolhimento institucional permanente ou “Família Social”. Mais oito crianças e adolescentes foram acolhidos pela entidade com o perfil de que não tiveram condições de retornar a família de origem, ou familiares, e também não tiveram a oportunidade de serem adotadas. Então, passaram a constituir uma família social na modalidade Casa-Lar, cuja figura cuidadora é a mãe social, assegurando o direito dessas crianças e adolescentes à convivência familiar.
Fonte:
Aline Wolff da Fontoura
WH Comunicação