Clipping, o desafio das assessorias de imprensa
Por Aline Wolff da Fontoura*
O clipping de notícias é a primeira atividade do ciclo de trabalho das assessorias de imprensa. Ele é um conjunto de notícias, matérias ou citações pesquisadas frequentemente pela agência ou pelo jornalista e que fica à disposição do assessorado. Por ele, os esforços são medidos, pautas são criadas, e o mercado é estudado. É uma ação tão importante dentro do processo, e tão complexo, que por vezes é terceirizado.
Parece fácil dar conta de uma boa clipagem, mas na prática é o trabalho mais difícil e dispendioso de uma assessoria de imprensa. Aqui, no Rio Grande do Sul, ainda é feito pelas próprias agências. Em São Paulo, devido ao volume de veículos de comunicação disponível, já é contratado à parte pelo cliente, como um complemento ao trabalho de assessoria de imprensa. Caro até… mas justificadamente caro.
O desafio está em cobrir 100% dos veículos que utilizam a informação produzida pelas assessorias. É uma jornada inviável, para não dizer impossível, por maiores que sejam os investimentos financeiros. Logo, o que sobra é a intenção dada a esse esforço, na perspectiva de que a qualidade do trabalho de clipagem seja proporcional à capacidade dos colaboradores de monitorar o máximo de mídia possível. Em um último momento, é saber organizar toda a coleção em uma apresentação fácil e objetiva para o cliente.
A qualidade, então, está na cobertura e no diferencial do serviço de clipagem? Sem dúvidas, é a agilidade nas apurações. Dar conta de ler vários jornais por dia, acessar vários portais, ver e ouvir várias emissoras e, no mesmo instante, recortar o que for de interesse para ser enviado ainda no mesmo dia é tarefa árdua. E tem que ser assim? Ora, um cliente tomar conhecimento de uma publicação a respeito da sua própria marca antes do assessorado é gafe. Já me aconteceu. Mais de uma vez devo admitir. Gafe tremenda. Um parêntese: clipping de TV e rádio, em geral, só quando a divulgação acontece com entrevista marcada, a qual temos conhecimento do dia e horário para a cobertura.
Vamos às dificuldades. Um setor de clipagem competente necessita além das habilidades de uma boa gerência, óbvio, boas finanças. Veja só, assinar os principais jornais, pelo menos da cidade, gera custo, assim como ter um profissional para dar conta de ler todos esses exemplares. Esse mesmo colaborador pode digitalizar a informação e montar o arquivo que será enviado para o cliente, mas dependendo do volume de atividades da assessoria de imprensa, não poderá ainda dar conta da Internet.
A Internet é outro grande desafio das assessorias de imprensa. Um grande aliado, mas também um imenso desafio.
Para o clipping de Internet, o profissional pode utilizar recursos, como Google e RSS. É uma demanda que requer pesquisa contínua. E, pasme, surpreendente. Tão surpreendente que justifica o grande desafio já mencionado. A Internet é um canal que pauta a própria imprensa.. Na prática, o que é publicado em um veículo é replicado por outros, e a Internet é um vírus quando trata desse tema. E aí se concentra o maior dos desafios do setor de clipagem, além do investimento.
Não há maneiras de monitorar tudo o que é aproveitado na imprensa em função da Internet, por mais que sejam despendidos esforços de conhecimento, tecnologia e dinheiro. A assessoria de imprensa nunca conseguirá acessar o jornal do interior do interior do interior do estado que utilizou o release disponível na sala de imprensa do cliente. Jornais de bairro e revistas segmentadas também não são aliados das assessorias nesse sentido, o que dificulta a apuração dos materiais.
Transcorrer sobre a tarefa e os desafios dos setores de clipagem gera várias laudas. O trabalho é grandioso e importante, porque serve de termômetro para as atividades do assessor de imprensa, antes de tudo. O bom é que o mercado que atende às assessorias de imprensa está atento a demandas da área e vem oferecendo novidades em Tecnologia da Informação para suprir tantos processos. São alternativas que valem, ao menos, estudar. Dois exemplos para finalizar: robôs eletrônicos e empresas leitoras de impressos, ambos terceirizados.
*Assessora de Imprensa – WH Comunicação (MTB/RS 12.406) - aline@whcomunicacao.com.br
Fonte:
WH Comunicação
Aline Wolff da Fontoura