Crônicas Vaticanas: a diplomacia da Igreja
CW: O Vaticano reitera continuamente que a Igreja Católica não persegue políticas partidárias. Todavia, os lideres da Igreja – especialmente o Papa – intervêm frequentemente sobre temas candentes, como o aborto ou os casamentos homossexuais. Nas Crônicas Vaticanas desta semana, veremos como o Vaticano trabalha com os governos de todo o mundo. Sou Cindy Wooden, correspondente em Roma de Catholic News Service.
CW: O Cardeal evocou um ponto sobre o qual Bento XVI sempre insiste: a Igreja Católica não tem uma plataforma política e não deve ser partidária. Todavia, tem a obrigação de ajudar os homens e as mulheres que necessitam de liberdade – inclusive a liberdade religiosa –, segurança, alimento, saúde e, de modo especial, o respeito pela dignidade humana em qualquer fase da vida. O Papa afirma que a Igreja oferece princípios para ajudar as nações e os indivíduos a viverem melhor.
CW: Este é o quarto ano que se realiza o Curso para diplomatas. E além das conferencias que se realizam na Pontifícia Universidade Gregoriana, a maior atração do curso é representada pelo fato de que o Vaticano abre as suas portas para os estudantes. Os diplomatas têm, de fato, a possibilidade de conhecer os mecanismos internos da Santa Sé, porque transcorrem toda uma manhã na Secretaria de Estado Vaticano, encontrando-se com os especialistas da política externa do Papa e visitando as salas e os corredores normalmente fechados ao público.
Eles têm também a possibilidade de conhecer seus futuros interlocutores vaticanos na Pontifícia Academia Eclesiástica, onde os sacerdotes estudam para se tornar diplomatas. Os futuros núncios apostólicos – assim são chamados os embaixadores vaticanos – se formam em Direito Canônico e conhecem os segredos da diplomacia vaticana. Os futuros diplomatas da Santa Sé vêm de todo o mundo e devem falar pelo menos três línguas. A preparação inclui a Missa cotidiana, a oração e os retiros espirituais.
CW: E eu sou Cindy Wooden, de Catholic News Service.
CG: E eu sou Carol Glatz. O Vaticano mantém relações diplomáticas com 175 países, e troca embaixadores com cada um deles. Esta semana, 21 diplomatas da América Latina vieram a Roma para um curso de duas semanas para conhecer a política internacional do Vaticano e o papel da Igreja no cenário mundial. O Cardeal Jean-Louis Tauran, o ex “ministro do exterior” do Vaticano, fez o discurso inaugural e afirmou que, mesmo não existindo nenhuma “política católica”, a Igreja intervém sobre questões políticas e sociais para defender o bem de cada ser humano.
CG: O cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga disse aos estudantes em carreira diplomática que o envolvimento da Igreja na política é um “tabu” na América Latina, porque no passado a Igreja foi considerada parte da estrutura do poder colonial. Mas para viver a mensagem cristã, acrescentou, a Igreja deve lutar contra a pobreza e a desigualdade e promover a justiça social. O purpurado destacou que todos os âmbitos da vida humana deveriam ser transformados pelo Evangelho, inclusive a economia, a justiça, as empresas e a própria política.
CG: Uma pergunta feita muitas vezes é porque os diplomatas vaticanos são todos sacerdotes e não são leigos. E o fato de que as pessoas conheçam pouco a diplomacia vaticana é a razão na base deste Curso especial: o Estado da Cidade do Vaticano é sim um país independente, mas é a Santa Sé – o Papa – que envia e acolhe os embaixadores. Os núncios apostólicos são os representantes do Papa junto aos governos e às Igrejas locais. Os arcebispos com tarefas de diplomatas informam o Papa e o Vaticano seja sobre a situação do país, seja da Igreja local que se encontram a servir; coordenam a escolha de novos bispos, e trabalham pela defesa da liberdade religiosa e pela promoção da paz. Sou Carol Glatz.
Fonte:
H2ONEWS
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